Para a Maria, Ana e João


"My work starts with my biography and personal rituals of daily life. I explore sensations and emotions, which, even though they are intimate or individual, are included in the more ample sphere of the feminine and the human. With this idea I move from the specific to the general. My experience is transformed into the thought of what other women or human beings might live through.
I started with the exploration of my external body as a way of knowing myself. Later, I included objects which would help me to define visually, individual and social metaphors. After that I went beyond the boundaries of the skin to start the exploration of my inner body.
The images to be found in "Cartographies" are the continuum of a project which I started three years earlier, by the name of " El Mapa de Mi Cuerpo" ( the map of my body) in which I brought together the notions of identity, memory and territory.
By means of combining pictures of fragments of my body with diagrams from anatomy as well as old codices, I have constructed maps - metaphoric/rituals- and reinvented my history. I explore inner and outer spaces guided by such maps as a starting point. With these images, I try to see through the memory of my body that which goes beyond the boundaries of the skin.
Tatiana Parcero
I started with the exploration of my external body as a way of knowing myself. Later, I included objects which would help me to define visually, individual and social metaphors. After that I went beyond the boundaries of the skin to start the exploration of my inner body.
The images to be found in "Cartographies" are the continuum of a project which I started three years earlier, by the name of " El Mapa de Mi Cuerpo" ( the map of my body) in which I brought together the notions of identity, memory and territory.
By means of combining pictures of fragments of my body with diagrams from anatomy as well as old codices, I have constructed maps - metaphoric/rituals- and reinvented my history. I explore inner and outer spaces guided by such maps as a starting point. With these images, I try to see through the memory of my body that which goes beyond the boundaries of the skin.
Tatiana Parcero




Mi obra parte de mi biografía y de ritos personales basados en experiencias diarias. Exploro sensaciones y emociones que aún siendo íntimas o individuales se incluyen en un género más amplio: el femenino, el humano. Con esta idea me muevo de lo particular a lo general. Mi experiencia se transforma en una reflexión que otras mujeres o seres humanos pueden vivir.
Comencé a trabajar con la exploración externa de mi cuerpo como una forma de autoconocimiento. Mas trade incluí objetos que me ayudaron a definir visualmente metáforas individuales y sociales y posteriormente traspasé los límites de la piel para iniciar la exploración interna de mi cuerpo.
Las imágenes de "Cartografías" son la continuación de un proyecto que inicié hace tres años llamado "El Mapa de Mi Cuerpo" en el que relacioné identidad, memoria y territorio.
A través de la combinación de fotografias de fragmentos de mi cuerpo y de diagramas de anatomía, y códices antiguos, construyo mapas -metaforas/rituales- y reinvento mi historia. Exploro espacios internos y externos guiados por el "mapa" como punto de partida, para establecer así una conexión entre mi yo y el mundo exterior. Con estas imágenes, intento ver a través de la memoria del cuerpo aquello que traspasa los límites de la piel.
Tatiana Parcero

O Poema:
Eu podia abrir um mapa: «o corpo» com relevos crepitantes
e depressões e veias hidrográficas e tudo o mais
morosas linhas e gravações um pouco obscuras
quando «ler» se fendia nalguma parte um buraco
que chegava repentinamente de dentro
a clareira arremessada pelo sono acima
insóna vulcânica sala contendo toda a febre «táctil»
furibunda maneira
esse era então uma espécie de «lugar interno»
áspera geologia alcalina e varrida e crua
exposta assim à leitura que se esqueceu do seu «medo»
o corpo com todas as «incursões» caligráficas
«referências» florais «desvios» ortográficos da família dos carnívoros
«antropofagias» gramaticais e «pègadas»
ainda ferventes
ou minas com o frio bater e o barulho escorrendo
«um mapa» onde se lia completamente o sangue e suas franjas
de ouro o irado desregramento da «traça
primeira» e o apuramento do mel com a labareda
inclusa o corpo na prancheta
para a lisura sentada onde se risca a posição mortal
«um papel» apenas a branca tensão do néon
no tecto o jorro de cima «declarando» qualquer rispidez
a suavidade toda uma bastarda
graça
de infiltração na sonolência ou explosiva
«vigilância» combustão das massas ao comprido
do «desenho» irregular
e só então assim desterrado do ruído nos subúrbios
ele apenas agora «composição» forte e atada de elementos
escarpas rapidamente
decorrendo
corpo que se faltava em tempo «fotografia»
de um «estudo» para sempre
como lhe bastava ser possível tão-só uma certa
temperatura
grutas aberturas minerais palpitações no subsolo
tremores
anfractuosidades esponjas onde pulsavam canais dolorosos
e a arfante matéria irrompendo nos écrans
com o susto leve das «manchas» que se uniam
essa energia sem espaço súbita «geometria» a costurar de fora
mordeduras velozes delicadezas
nervuras vivas
para seguir até ao fim «com os olhos»
como uma paisagem de espinhos faiscantes
«o contorno» que queima de uma lâmpada acesa
toda a noite no gabinete do cartógrafo.
Antropofagias, Texto 4
Helberto Helder
Eu podia abrir um mapa: «o corpo» com relevos crepitantes
e depressões e veias hidrográficas e tudo o mais
morosas linhas e gravações um pouco obscuras
quando «ler» se fendia nalguma parte um buraco
que chegava repentinamente de dentro
a clareira arremessada pelo sono acima
insóna vulcânica sala contendo toda a febre «táctil»
furibunda maneira
esse era então uma espécie de «lugar interno»
áspera geologia alcalina e varrida e crua
exposta assim à leitura que se esqueceu do seu «medo»
o corpo com todas as «incursões» caligráficas
«referências» florais «desvios» ortográficos da família dos carnívoros
«antropofagias» gramaticais e «pègadas»
ainda ferventes
ou minas com o frio bater e o barulho escorrendo
«um mapa» onde se lia completamente o sangue e suas franjas
de ouro o irado desregramento da «traça
primeira» e o apuramento do mel com a labareda
inclusa o corpo na prancheta
para a lisura sentada onde se risca a posição mortal
«um papel» apenas a branca tensão do néon
no tecto o jorro de cima «declarando» qualquer rispidez
a suavidade toda uma bastarda
graça
de infiltração na sonolência ou explosiva
«vigilância» combustão das massas ao comprido
do «desenho» irregular
e só então assim desterrado do ruído nos subúrbios
ele apenas agora «composição» forte e atada de elementos
escarpas rapidamente
decorrendo
corpo que se faltava em tempo «fotografia»
de um «estudo» para sempre
como lhe bastava ser possível tão-só uma certa
temperatura
grutas aberturas minerais palpitações no subsolo
tremores
anfractuosidades esponjas onde pulsavam canais dolorosos
e a arfante matéria irrompendo nos écrans
com o susto leve das «manchas» que se uniam
essa energia sem espaço súbita «geometria» a costurar de fora
mordeduras velozes delicadezas
nervuras vivas
para seguir até ao fim «com os olhos»
como uma paisagem de espinhos faiscantes
«o contorno» que queima de uma lâmpada acesa
toda a noite no gabinete do cartógrafo.
Antropofagias, Texto 4
Helberto Helder


6 comments:
Olá
A geografia do corpo,percorrido em toda a sua dimensão,com a delicadeza de um olhar atento e sensível
Obrigado
Bj
Noite Feliz
João
Era só para matar(mos) saudades . A poesia faz-me falta , quase tanta como a presença dos amigos!
Um beijinho João e obrigada.
Noite feliz
Uma surpresa boa! Vai sair por lá um dia destes, pronto.
Para matar saudades, sim!
Um beijinho de
noite feliz :)))
maria
Pois que saia :) Acho que este nunca tinha publicado ...
Sabes que hoje não tenho pensado em outra coisa senão no blogue? Abro não abro, abro, não abro . O meu azar é não ter um malmequer, sempre dava uma ajudinha na decisão :)
Beijinho, Maria. Noite feliz para ti também
Estranhas fronteiras as da pele!
E que complexos mapas aqui se desenham, com tinta uns, com palavras outros, parecendo absolutamente indissociáveis!!!
________________________________
QUE GOSTO ESTAR POR AQUI HOJE:)))
E mais não digo.
OBRIGADA.
Beijinho
Ana
É como se este post fosse o "meu" mapa interior , a minha cartografia do desejo ... um guia para chegar até aos amigos! Parece que consegui.
Que bom foi ter-te aqui hoje, Ana
Obrigada e um beijinho
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